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CRAS promove palestra aos Adolescentes - 03/09/2014

JOVENS CONHECEM UMA BELA HISTÓRIA DE VIDA

Os doze participantes do grupo de adolescentes de Maratá, o qual faz parte do serviço de convivência e fortalecimento de vínculos do CRAS (Centro de Referência da Assistência Social), receberam uma palestra diferenciada na semana que passou, uma emocionante história de vida e de como viver, mesmo com difíceis obstáculos. Os adolescentes participam de encontros semanais e, uma vez por mês possuem oficinas de culinária e artesanato, bem como semanalmente aulas de teatro e dinâmicas sobre adolescência, trabalhando assim, a parte emocional. Porém, o grupo se encantou com uma excelente palestra sobre o tema, vida.

            Ledi Pletsch e Rugardo Stahlhofer foram convidados pela Secretária da Assistência Social, Gládis Stein, e pela psicóloga do grupo Thaís, para que falassem de suas histórias pessoais e também sobre família. Segundo os adolescentes, o que mais ficou gravado em seus pensamentos, é a forma de viver e lidar com as dificuldades, sempre seguindo em frente e correr atrás dos ideais. ?Mesmo com doença nós podemos lutar, sendo fortes e tendo esperança?, comentavam. Para eles, o momento não foi caracterizado como palestra, e sim, como um debate, algo mais falado. A Secretária Gládis diz que a intenção foi de valorizar os fatos da vida. ?A Ledi possui uma bela história, e vale a pena ser contada para todos?, destaca.

MAIS QUE UMA HISTÓRIA, UM EXEMPLO

            Mulher alegre, com sorriso estampado no rosto, extremamente comunicativa e em ação, assim é Ledi Pletsch, que com 63 anos realiza sua caminhada diária juntamente seu marido Rugardo Stahlhofer de 65 anos. No início da conversa ela diz que seu sonho era ser professora, estudando no Colégio Santa Catarina em Novo Hamburgo. Além disso, fez química, contabilidade, mas acabou se encantando no que seria mais tarde o seu futuro, o Turismo. ?Quando caminhava para a escola em Novo Hamburgo, ficava observando a vitrine de uma agência de turismo, via fotos, miniaturas de aviões, me encantava!?, conta. Foi quando ela decidiu entrar para o mundo turístico, fazendo um curso técnico. ?Não entrei para uma Universidade, mas sim, para a faculdade da vida, pois viajei em cinco anos para 25 países, participei de conferências, cursos, e convivi com diversas pessoas?, declara. Com tantas viagens, era uma infinidade de fotos, pois comprou uma máquina para registrar os melhores momentos, os quais saíram caros. Ela conta que gastou muito com fotos. A vontade da jovem era guardá-las, para no momento de sua aposentadoria, voltar para Maratá e organizar por locais e datas, mostrando o que visitou e se dedicando ao Turismo na cidade. ?Tinha milhões de ideias na época, como trazer grupos para conhecer o município, andar de jipe, passear por trilhas, no morro Ibiticã, cachoeiras e no final, tomar um delicioso café colonial. Tudo isso com a intenção de descobrir, divulgar e preservar Maratá?, afirma. Tudo foi contado aos jovens. ?Iria mais um mês de conversa, pois eles queriam que falasse de cada viagem que fiz?, declara entre risos.

            No momento em que foi convidada, Ledi disse que daria um toque nos adolescentes. Para ela, a família muitas vezes passa ser a própria rua. ?O município está em busca de jovens bons, de respeito e não vazios, nesse sentido eu frisei sobre o respeito aos professores, profissionais que estão aqui para instruí-los e ensiná-los?, destaca. Além disso, a senhora tem vontade de trabalhar com os jovens, para desenvolver exemplos na comunidade, e opina sobre o ?fim do relacionamento humano?, no sentido das novas ferramentas midiáticas, como celulares, computadores e tablets. ?A base de tudo é a família. Não teremos uma boa sociedade sem família estruturada?, opina. Os adolescentes comentavam sobre honestidade, gentileza e educação, deixando a palestrante entusiasmada. A avaliação dos dias atuais pode ser resumida na questão de, tudo pode ser feito, tudo é liberado aos jovens e crianças. Não recebendo um ?não? de seus pais. ?Precisa ser imposto limites, o que é certo e errado?, avalia. Sobre a sua juventude, Ledi conta que seu pai foi liberal, mas exigia muito dos filhos. Por mais que tenha passado por muitas dificuldades, ela diz que aprendeu a respeitar as opiniões de todos. Mesmo não tendo constituído uma família, onde o principal motivo era as viagens, o trabalho proporcionou o convívio com diversas famílias, sendo que no setor do turismo aconteceram atendimentos de três gerações, dos avós, pais e filhos. ?Eu morava no mundo e a visita era em casa?, comenta. Sem nenhum filho, outro plano dela era montar uma agência para crianças, devido ao fato do carinho e facilidade de relação com as mesmas. Quando se tratava de festa ou saídas pela cidade, o assunto com a moça era férias, pacotes de viagens e dicas de locais.

 

A MUDANÇA REPENTINA NA VIDA

 

            ?Os primeiros sinais vieram enquanto estava dirigindo, não enxergava na lateral quando olhava os retrovisores do carro?, lembra. Segundo ela, enquanto trabalhava, as dificuldades aumentavam e já não enxergava os números do visor da máquina de pagamento. Ledi chegou apensar que era algo psicológico, já que havia consultado com nove oftalmologistas em dez anos e nenhum achou anomalias, mesmo sem 45% da visão normal. Em uma tarde, na casa da mãe, Ledi quis fotografar a sua sobrinha pegando sua máquina e as pilhas, porém não conseguiu colocá-las e pediu para o irmão, pois ela não enxergava o positivo e negativo. ?Minha cunhada disse para usar óculos, mas nenhum oftalmologista havia receitado, ela como clínica geral me examinou respondendo sobre o problema, o qual era neurológico e então fui para o médico particular. Depois de 20 minutos consultando ele pediu uma ressonância urgente, sem querer saber algo de outro profissional?. O resultado foi desanimador, se tratando de um meningioma no cérebro, sendo realizada cirurgia. O pensamento dos médicos era a recuperação da visão, visto que Ledi ainda enxergava com o olho direito. ?Na segunda cirurgia eu acordei sem ver nada e o médico que me cuida até hoje disse que eu havia perdido a visão, pois foi feito um teste e a preocupação era em salvar minha vida, até porque o nervo óptico tinha se envolvido no meningioma, o qual era fibroso e benigno, por isso, tiveram que tirar o nervo?, relata. Sem regeneração, a esperança seria as células tronco, as quais estão longe de comprovação para o caso. Ledi ainda enxerga a claridade, mas nada de concreto para voltar ver. Depois de se reabilitar e estar fora da agência por dez meses, foi a vez dela ligar para o seu chefe e pedir retorno ao trabalho. ?Ele perguntou se eu estava louca, mas eu disse que estava preparada para voltar, estava acostumada em casa, adaptada e queria trabalhar. Então combinamos um dia, me arrumei, esperei o carro me buscar e iniciamos a conversa, olhando bem nos olhos dele, comentando a vontade de tocar o setor de vendas, por meio turno. Fui todos os dias a pé, com minha amiga Verinha, assim já caminhava e pegava um sol, além disso, tinha uma secretária e pedia para ela anotar tudo, mesmo quando ela esquecia eu a lembrava, corrigia ela?, relembra. Assim ela provou para si mesma que foi capaz de trabalhar com suas dificuldades.

 

DEPOIS DE 47 ANOS, O REENCONTRO

            Já morando em sua casa, no município de Maratá, Ledi tocava sua vida tranquila.  Em 2009 ela recebe uma ligação, um homem perguntando se estava reconhecendo a voz. ?Eu nem imaginava quem poderia ser?. Se tratava de um velho amigo de infância, Rugardo Stahlhofer. Ele morava em Porto Alegre, mas quando criança sempre vinha na casa do avô, em frente à residência de Ledi. ?Chegava em Maratá e subia o morro para brincar e ver ela?, relembra o professor. ?Nem era pra me ver?, brinca Ledi. Depois de 47 anos, na Oktoberfest (outubro de 2009), Rugardo encontrou a mãe e irmã, perguntando para elas como estava a amiga de infância. ?Como a mãe dela deu o número de telefone eu resolvi ligar, me identificando, depois de perguntar se conhecia a minha voz?, comenta. Ele conta que recebeu o convite para vir com a esposa, porém, disse à amiga que era viúvo, deixando Ledi muda ao telefone por um tempo. ?No primeiro mês gastávamos R$300,00 em telefone?, afirmam entre risos. ?A primeira visita foi no dia de finados, achei bem estranho, bem no dia dos entes queridos, porém, combinamos e pedi para que ele avisasse quando estaria em Brochier, assim abriria o portão de casa. Pedi para ele deixar o carro lá embaixo e subir a pé, mas com tanto nervosismo, o portão não abriu, simplesmente não consegui abrir, obrigando o Rugardo a solucionar o problema?, explica Ledi, se divertindo. Depois de várias visitas e conversas, construção de um relacionamento, aconteceu a grande novidade, Rugardo queria noivar e casar com Ledi. Em 21 de maio de 2011, ocorreu o matrimônio do casal. ?O meu marido se acha, pois investiu muito na juventude e eu não quis, agora conseguiu na velhice, então ele se achou vitorioso?, brinca. Como Rugardo é professor, fez a solicitação de transferência para lecionar em Maratá, onde se aposentou no último ano.

            Ao final da entrevista, Ledi diz que a realidade dos jovens pode mudar, bastando acreditar. ?Nosso país é democrático e o jovem não quer mais estudar, mas ele deve saber da importância do estudo, da luta pelos objetivos, saber do gosto da conquista, gerando uma família com responsabilidade. O dinheiro não é felicidade, pois o primeiro passo é a realização, o dinheiro vem por acréscimo, repito, é preciso estudar e buscar os ideais, acreditar em si regrando-se na crença de alguém superior a nós. Somos humanos e divinos, o divino deve superar o humano. Devemos apresentar aos mais novos, o caminho correto, dando conselhos, pois falta segurança para eles, ou seja, a partir do momento que estão inseguros, buscam força nas drogas e bebidas, uma consequência que devemos mostrar que está errada, proporcionando apoio e a correção dos atos.  Eu sou determinada, acredito em mim, contudo, não sou poderosa, mas eu creio no que há dentro de mim.?, destaca. Para ela isso será o futuro, a educação, estrutura familiar e principalmente a educação e incentivo ao jovem, para que estude.

            ?A vida é um presente, de presente recebemos e de presente devemos doá-la?.

LEDI PLETSCH, 2014.

Por Júlio Hanauer.

 


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