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Filme gravado em Maratá é lançado em Porto Alegre e vai rodar em salas de cinema do Brasil - 27/06/2022
Crédito: Por Júlio Hanauer | Jornalista (0020329/RS)

Com direito a chopp, cuca e sala de cinema lotada, foi lançado no sábado, 25, o filme "A Colmeia", longa-metragem do diretor Gilson Vargas que teve base cenográfica a cidade de Maratá. O evento ocorreu na icônica Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, e contou com a presença do elenco, direção, equipe técnica, influenciadores digitais, prefeita de Maratá, soberanas e convidados marataenses.

A prefeita Gisele Schneider participou da noite de comemoração e destacou a importância que o filme possui na divulgação do município, sobretudo para o setor cultural e histórico. "A casa e a caverna que serviram de cenário para as gravações retratam a história da nossa cidade e apresentam ao público a riqueza cultural que temos em nosso município", afirma a prefeita. Após a sessão de lançamento, Gisele afirmou que o enredo mistura questões reais na vida dos descentes de alemães durante a Segunda Guerra e a ficção, resultando em uma obra intrigante.

No salão onde ocorreu o coquetel, um espaço foi disponibilizado ao Município de Maratá para a divulgação do material turístico e de produtos locais. A Secretaria Municipal de Turismo e Desporto preparou uma mesa especial para que os participantes pudessem conhecer mais sobre o Vale das Cachoeiras, principal local onde o filme foi gravado.

Parte das gravações do filme aconteceram em 2017 na comunidade de São Pedro do Maratá, na casa centenária da família Gauer, construída em estilo enxaimel, além de cenas feitas nas cavernas próximas ao Morro Ibiticã, no centro da cidade. O Drama possui 1h40min de duração e conta a história de um grupo de imigrantes alemães que vive isolado no interior do sul do Brasil. Eles tentam ser invisíveis para não chamar atenção na comunidade onde vivem, mas o medo do que pode estar por perto e a curiosidade dos membros mais jovens do grupo os torna frágeis e cria conflitos violentos entre eles.

O filme foi apresentado em festivais nacionais e internacionais, como Tallinn Black Nights Film Festival (PÖFF), na Estônia, e recebeu o prêmio de melhor longa estrangeiro do Festival Internacional de Zaragoza, além de cinco Kikitos na mostra gaúcha do 49º Festival de Cinema de Gramado (direção, ator, fotografia, som e arte). "A Colmeia" estreia nas salas de cinema do Brasil no próximo dia 30 de junho, quinta-feira.

 

Diretor diz que Maratá combinou com a produção em termos de cenário e acolhimento

No evento de pré-lançamento no último sábado, 25, o diretor do filme, Gilson Vargas, disse em entrevista à Assessoria de Comunicação do Município de Maratá que a produção iniciou a partir da sua proximidade com os Vales dos Sinos e do Caí, pois atua no curso de Realização Audiovisual da Unisinos desde 2004. "Fui conhecendo a cultura alemã, as fantasias e histórias que rondam essa população. 'A Colmeia' tem como pano de fundo a realidade da Segunda Guerra Mundial, quando a língua alemã foi proibida no Brasil. É um drama, mas tem muita fantasia que se pode propor em filmes e influências de histórias que eu ouvi ou li sobre um período complicado, difícil, e de muito medo", revela Vargas, ao dizer que a guerra poderia estar distante geograficamente, mas que mesmo assim provocava um temor aqui no Brasil.

Sobre a relação entre Maratá e as gravações do longa-metragem o diretor diz que Maratá não sou combinou com o filme em termos de cenário, por ter uma cenografia bonita, como também em termos de receptividade. "Fomos muito bem recebidos pela comunidade de Maratá, pela prefeitura, pelas secretarias municipais. Tivemos muito apoio", conta.

Foi realizada uma grande pesquisa que resultou na escolha da cidade como cenário principal das gravações. Gilson Vargas, juntamente com a equipe, visitou casas, circulou por estradas e cenários em vários municípios, mas foi em Maratá onde encontrou a principal e perfeita locação para "A Colmeia". "Trabalhamos e reconstituímos a casa centenária para que ficasse nos moldes antigos, inclusive com o mobiliário. Filmamos em outras cidades, mas principalmente em Maratá", acrescenta.

Com o apoio do Instituto Goethe de Porto Alegre, o elenco foi preparado para as falas no idioma alemão, recebendo apoio da professora Isabel Arendt, responsável por treinar atrizes e atores para falarem o alemão. O diretor afirma que alguns já tinham familiaridade com a língua alemã, mas grande parte não. Por isso, após as filmagens foram realizadas correções através de dublagens, mas os próprios personagens fizeram as dublagens de correções que firam despercebidas no resultado final. Segundo Gilson Vargas, as falas se aproximam do alemão gramatical e não seguem o dialeto falado nas colônias alemãs no Brasil. No entanto, ele afirma que em filmes há a possibilidade de adaptação da realidade para que as coisas possam acontecer.

O lançamento do longa-metragem estava previsto para março de 2020, mas a pandemia postergou a estreia nas salas de cinema de todo o Brasil. Sobre as premiações recebidas pela produção, o diretor defende que o mais importante é fazer o filme circular. "Dentro da circulação é como se fosse um bônus, algo a mais receber as premiações. A gente fica muito feliz com as premiações, pois coroa todo esse processo de muita luta, pois fazer cultura, cinema e arte no Brasil não é nada fácil. O maior prêmio é ter público assistindo, mas é óbvio que quando a crítica especializada em ver a produção te coroa com o teu trabalho, isso nos deixa muito feliz", pontua.

Interpretando Bertha em "A Colmeia", a atriz Janaina Pelizzon diz que se identificou com algumas questões da trama. "Eu sou da cidade de Três de Maio, no interior do Rio Grande do Sul, e percebi situações muito parecidas como os grupos familiares, de vizinhança, e também a mesa cenográfica da casa, muito parecida com a que tinha na casa do meu avô", revela Janaina.

"A Colmeia" é uma realização da Pata Negra e tem distribuição da Lança Filmes. O financiamento é do Edital Pró-cultura RS FAC de Produção Audiovisual, realizado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul/SEDAC, e Fundo Setorial do Audiovisual, através da Ancine e BRDE.

 

Casa centenária em São Pedro do Maratá foi cenário principal do filme

A locação principal onde foi gravada "A Colmeia" é a casa enxaimel que desde 1959 é da família Gauer, dos falecidos Maurício Gauer e Roesi Bauer Gauer. Hoje, quem cuida da propriedade é Jaqueline Wolmann, filha do casal.

Jaqueline lembra que quando foi procurada pela equipe para a gravação do filme na casa que hoje tem 162 anos, teve um misto de susto e emoção ao mesmo tempo. "O local estava fechado sem ninguém morando e a equipe da direção do filme mencionava de uma forma tão grandiosa que esse era o espaço ideal que estavam procurando, pelo formato da casa, a caracterização e o entorno", afirma a marataense.

Durante a organização do espaço e no período das gravações a propriedade recebeu muita movimentação e a família Gauer conheceu um pouco do que é o trabalho completo de uma produção cinematográfica. "Nesse vai e vem durante a vinda do pessoal da produção, assim como do elenco, foi muito bom ver o interesse e a curiosidade deles sobre a casa. Queriam saber a história da residência, a idade dela e com várias sugestões de como preservá-la, o que foi muito significativo para agregar valor sentimental", afirma Jaqueline.

Enquanto assistia as cenas na Cinemateca Capitólio, Jaqueline lembrou da família, das vivências na infância e na juventude. "Foram muitas histórias nesta moradia, que agora através de filme passa eternizar mais uma história", pontua Jaqueline.



Galeria de Fotos

Legenda: Prefeita e soberanas com o diretor do filme, Gilson Vargas
Legenda: Proprietária do casa centenária, Jaqueline Wolmann, o marido Roque Wollmann e o diretor Gilson Varga
Legenda: Mesa de divulgação do município montada no coquetel da pré-estreia
Legenda: Prefeita Gisele destacou a importância das gravações em Maratá para a divulgação do município
Legenda: Público conferiu material turístico e parte da produção local de Maratá
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